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   O MODELO SISTÊMICO DE ORGANIZAÇÃO DOS ARQUIVOS NORTE-AMERICANOS

      A gestão de documentos originou-se na impossibilidade de se lidar de acordo com os moldes

tradicionais, com as massas de documentos, cada vez maiores, produzidos pelas administrações.

Os volumes documentais crescem numa progressão geométrica e é necessário que se

estabeleçam parâmetros para sua administração. Essa perspectiva surge a partir de reformas

administrativas instaladas nos EUA e no Canadá, no final da década de 40. Nos primeiros

momentos do pós-guerra, estabeleceram-se princípios de racionalidade administrativa, a partir da

intervenção nas diferentes etapas do ciclo documental: produção, utilização, conservação e

destinação de documentos. Uma das maiores repartições públicas é a do governo federal dos

EUA, que produz documentos em quantidade excessiva.

       O modelo sistêmico de organização dos arquivos norte-americanos representa a primeira

tentativa de ruptura da tradição arquivística européia, caracterizada pela ênfase aos arquivos

permanentes ou históricos. A opção dos Estados Unidos por esse modelo deu-se no âmbito de

importantes mudanças político-administrativas ocorridas naquele país depois da Segunda Guerra

Mundial. A Comissão Hoover de Reorganização do Poder Executivo (Hoover Comission on the

Reorganization of the Executive Arm of the Government) fez um estudo completo da organização

e funcionamento da repartições federais, criou um programa que simplificou e uniformizou os

métodos contábeis e fiscais em todo o país, ficando grandemente reduzido o volume de

documentos relativos a este assunto. A instalação da Comissão Hoover, inicia um processo de

profunda reforma administrativa, na área do controle, sobre a geração, armazenamento e

destinação da documentação produzida pelo governo federal. Entre essas reformas estão: a

transformação do National Archives establishment em National Archives and Records Services; a

criação de um sistema federal de arquivos intermediários (Federal Centers e Records Centers); e

a assinatura do Federal Records Management, ou seja, a gerência de documentos desde a sua

produção até a sua destinação final. O impacto causado por essas reformas na teoria arquivística

se fez sentir pela conseqüente enunciação da teoria das três idades, onde os arquivos correntes e

intermediários são comparados em status, ao arquivo histórico.

        A lição do modelo norte-americano é significativa: centralização administrativa, descentralização

regional dos depósitos federais e independência dos arquivos estaduais em relação à estrutura do

governo federal. A legislação dos estados, por sua vez, é inteiramente independente da do

governo federal.

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